Tag: Piscicultura

  • IBAMA classifica pirarucu como espécie invasora fora da área natural e gera reação da piscicultura brasileira

    IBAMA classifica pirarucu como espécie invasora fora da área natural e gera reação da piscicultura brasileira

    Nova instrução normativa acende alerta sobre insegurança jurídica, impacto em investimentos e falta de diálogo com a cadeia produtiva

    A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de classificar o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área natural, por meio da Instrução Normativa nº 7/2026, acendeu um alerta imediato na piscicultura brasileira.  

    A medida, com efeitos diretos sobre a produção e os investimentos no setor, já mobiliza produtores e entidades diante do risco de insegurança jurídica e impacto na expansão da atividade. 

    A decisão surpreendeu agentes do setor, uma vez que o tema ainda estava em discussão no âmbito da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio), levantando questionamentos sobre a condução do processo e a ausência de alinhamento institucional. 

    Considerada uma das espécies mais promissoras da piscicultura nacional, o pirarucu já possui produção estabelecida em diversos estados e apresenta elevado potencial de expansão. A nova classificação, no entanto, impacta diretamente o ambiente de negócios, afetando investimentos, planejamento produtivo e a segurança jurídica de produtores em todo o país. 

    Para o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros, a medida traz insegurança e contradições no direcionamento das políticas públicas. “A decisão causa grande preocupação ao setor, especialmente pela falta de diálogo em um tema tão sensível. O pirarucu é uma espécie estratégica para a piscicultura brasileira, com forte potencial de geração de renda e desenvolvimento regional”, realça. 

    Além disso, Medeiros também destaca o paradoxo regulatório envolvendo a espécie. “Há poucos anos, os próprios governos federal e estadual reconheciam o potencial do pirarucu para a aquicultura e incentivavam sua produção. Agora, vemos uma mudança que pode restringir sua utilização, criando insegurança jurídica e um precedente preocupante para o setor produtivo”, completa. 

    Diante do cenário, a PEIXE BR defende a revisão da normativa e reforça a importância da construção conjunta de políticas públicas. A entidade também cobra uma atuação mais firme do Ministério da Pesca e Aquicultura na defesa da piscicultura nacional, buscando garantir previsibilidade e estabilidade para os produtores. 

    Sobre a PEIXE BR 

    A PEIXE BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade do segmento e do ambiente regulatório da atividade no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente. 

  • PEIXE BR participa da maior feira de pescados da América do Norte para ampliar exportações brasileiras

    PEIXE BR participa da maior feira de pescados da América do Norte para ampliar exportações brasileiras

    Evento reúne fornecedores de 50 países e conecta compradores e empresas da cadeia global de pescados

    A PEIXE BR participará da Seafood Expo North America considerada a maior feira de negócios do setor de pescados da América do Norte, realizada em Boston (EUA) entre os dias 15 e 17 de março. A presença brasileira ocorre em um momento estratégico para fortalecer as exportações de pescado para os Estados Unidos, principal destino de produtos como tilápia e tambaqui.  

    Para o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, o momento é uma oportunidade importante de estreitar relações com a região e ampliar a divulgação da proteína brasileira. “A tilápia é o pescado mais exportado pelo Brasil e, juntamente com o tambaqui, os Estados Unidos são o principal comprador desses produtos, especialmente o filé de tilápia fresco”, realça. 

    Segundo ele, com a nova tarifa de importação de 10%, o Brasil volta ao mercado com bastante força em função da qualidade dos produtos. “É hora de falar com os compradores americanos e reforçar as parcerias”, destaca. 

    A presença da entidade no evento também reforça o trabalho de promoção do pescado brasileiro no mercado internacional, destacando a rastreabilidade, a sustentabilidade e o potencial de crescimento da piscicultura nacional. Ao lado de Francisco, o vice-presidente do Conselho de Administração da PEIXE BR e da Fider Pescados, Juliano Kubitza, também estará à frente dessa missão. 

    Além da participação institucional da PEIXE BR, empresas associadas também estarão presentes com estandes próprios na feira, apresentando seus produtos ao mercado internacional e ampliando as oportunidades de negócios com importadores e distribuidores. Entre as companhias brasileiras confirmadas estão a Ayamo, Brazilian Fish, Copacol, Zaltana e Mar & Terra. 

    Centro de negócios do setor, a feira reúne compradores, fornecedores e profissionais da indústria de seafood de todo o mundo e é considerada um dos principais pontos de encontro globais da atividade. A exposição concentra fornecedores de cerca de 50 países com o objetivo de conectar compradores norte-americanos a produtos, serviços e soluções da cadeia de pescados em um único ambiente. 

    Sobre a PEIXE BR 

    A Peixe BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade do segmento e do ambiente regulatório da atividade no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente. 

  • Piscicultura brasileira supera 1 milhão de toneladas e consolida década de crescimento recorde

    Piscicultura brasileira supera 1 milhão de toneladas e consolida década de crescimento recorde

    Setor avança 58,6% em dez anos, produção de tilápia dispara 148,2% e país reforça protagonismo nas Américas, aponta novo Anuário da PEIXE BR

    A PEIXE BR lançou hoje, 24 de fevereiro, a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, que consolida o setor como um dos mais dinâmicos do agronegócio nacional. A publicação revela que, nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6% e, em 2025, atingiu pela primeira vez a marca histórica de 1 milhão de toneladas produzidas. No mesmo período, a produção de tilápia avançou expressivos 148,2%, reforçando o protagonismo da espécie no país.

    Principal referência estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo, o Anuário 2026 apresenta dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas para os próximos anos. A edição comemorativa também reúne os principais acontecimentos de 2025 e análises sobre o cenário atual. 

    “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, compartilha o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.

    No evento em Brasília (DF), estiveram presentes o presidente do conselho de administração da PEIXE BR, Mauro Nakata; o vice-presidente da PEIXE BR, Juliano Kubitza; o diretor do Departamento de Águas da União, substituto do ministro de estado da Pesca e Aquicultura, Felipe Bodens; o deputado federal – presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, Luiz Nishimori e o chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores.

    Para acessar o Anuário 2026, acesse www.peixebr.com.br/anuario-2026 e baixe gratuitamente a publicação.

  • Piscicultura inicia 2026 com mercado aquecido e retomada de preços

    Piscicultura inicia 2026 com mercado aquecido e retomada de preços

    PEIXE BR destaca continuidade dos investimentos, custos mais estáveis e novas oportunidades no mercado externo, especialmente para filé congelado

    O setor da piscicultura iniciou 2026 com um cenário positivo, impulsionado pelo mercado aquecido e pela retomada nos preços pagos ao produtor. Em entrevista ao Record News Rural, Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura), destaca que a estabilização dos valores ao consumidor garante a manutenção da demanda e reforça a predominância da tilápia no mercado nacional.

    “Começamos o ano com boa perspectiva para a tilapicultura nacional, para a piscicultura de uma forma geral, mas a gente cita a tilápia porque representa quase 70%, um pouco mais de 70% de tudo que nós cultivamos no Brasil. Segundo o Ministério da Pesca e Agricultura, em pesquisas recentes, o pescado mais consumido no Brasil hoje, independente da origem, se é importado da pesca ou de produção, é a tilápia”, afirma o executivo.

    Medeiros também ressalta que a retomada nos preços pagos ao piscicultor foi amplamente influenciada pela preparação industrial realizada em períodos anteriores.

    “A indústria, ela se preparou bastante nos últimos anos para entregar um produto que o consumidor quer, e isso é o mais importante. Outro fator essencial foi a entrada das empresas que produzem aves e suínos no mercado, que têm uma logística, uma distribuição, uma comercialização bastante forte”, diz o presidente.

    Ainda sobre a tilápia, o executivo ressalta que o consumo interno da proteína registrou uma alta expressiva ao longo da última década, fator que tem impacto direto em sua consolidação no mercado nacional.

    “Nos últimos dez anos, o crescimento foi extremamente significativo. Para você ter uma ideia, nós crescemos na última década 10,3% ao ano. A gente tem falado isso aqui o tempo todo, mas nunca tivemos um histórico de uma proteína animal que tenha tido uma década de crescer dois dígitos. […] Então, é um sucesso realmente no prato do consumidor brasileiro”, reitera Medeiros.

  • Piscicultura fecha 2025 com retomada de preços e agenda regulatória

    Piscicultura fecha 2025 com retomada de preços e agenda regulatória

    A piscicultura brasileira encerra 2025 com recuperação de preços, ampliação do consumo interno e mobilização institucional em temas como tarifaço, espécies invasoras e importações, segundo avaliação da Peixe BR.

    piscicultura

    A piscicultura brasileira chega ao fim de 2025 após atravessar um ano de oscilações, ajustes de mercado e debates regulatórios que impactaram diretamente produtores e indústrias. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, que descreve o período como marcado por dois momentos distintos e por avanços estruturais na cadeia.

    De acordo com Medeiros, o primeiro semestre foi caracterizado por elevada oferta de peixe, o que pressionou as cotações pagas ao produtor. “Tivemos um primeiro semestre com grande oferta de produto, o que pressionou os preços para baixo. As indústrias também reduziram valores no food service e no atacado”, afirma.

    A partir da segunda metade do ano, o cenário mudou com a recuperação gradual da demanda. “No último trimestre, houve uma recuperação significativa dos preços pagos ao produtor. A indústria, no entanto, teve dificuldade em repassar esses valores imediatamente ao mercado”, relata. Ainda assim, o setor encerra o ano com avaliação positiva, sustentada pelo consumo interno e por medidas estruturantes.

    Um dos pontos destacados pela Peixe BR foi a inclusão do peixe de cultivo na cesta básica da reforma tributária. Para Medeiros, a medida amplia a competitividade no mercado doméstico e cria condições mais favoráveis para o crescimento do consumo. Ele observa que o período de preços mais baixos também contribuiu para atrair novos consumidores. “O consumidor buscou saudabilidade e sabor e passou a preferir o peixe de cultivo, em especial a tilápia. Muitos desses consumidores se mantiveram”, afirma.

    No comércio exterior, o chamado tarifaço sobre exportações trouxe impactos assimétricos. Segundo o presidente da entidade, o efeito sobre o volume total produzido foi limitado, já que as exportações representam entre 3% e 5% da produção nacional. “Para as empresas exportadoras, que têm investimentos dedicados, o efeito no fluxo de caixa foi muito significativo”, pondera. A redireção do produto ao mercado interno exigiu ajustes operacionais e comerciais ao longo do ano.

    Outro tema sensível foi a proposta de inclusão da tilápia em uma lista de espécies invasoras. Medeiros destaca que a decisão foi adiada pelo Ministério do Meio Ambiente para 2026, mas segue no centro das atenções do setor. “Essa é uma grande preocupação. Estamos trabalhando intensamente para evitar a inclusão, o que é determinante para o negócio”, afirma. A associação atua junto ao Congresso, ao setor produtivo e à sociedade com base em informações técnicas sobre a atividade.

    As importações de pescado do Vietnã também geraram debates em 2025. De acordo com Medeiros, a entrada de produto ocorreu em um momento de ampla oferta interna e preços pressionados ao produtor. “A importação deve ocorrer quando há falta de produto, o que não era o caso. Além disso, há diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e trabalhistas que comprometem a isonomia competitiva”, observa. A entidade cobra ajustes para assegurar concorrência equilibrada.

    Para 2026, a Peixe BR mantém foco na competitividade e no acesso a mercados. A agenda inclui atuação regulatória em níveis estadual e federal e projetos técnicos voltados à genética, tecnologia, produção e processamento. “O produtor precisa perceber esses ganhos na propriedade. Esse é o direcionamento da associação ao longo de sua trajetória”, afirma Medeiros.

  • André de Paula novo ministro da Pesca e Aquicultura

    André de Paula novo ministro da Pesca e Aquicultura

    A Peixe BR foi representada pelo presidente executivo, Francisco Medeiros, na cerimônia de posse do ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula.

    André foi vereador da cidade do Recife e deputado estadual em Pernambuco por dois mandados. Exerceu o cargo de Secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco de 1999 a 2022. Entre 2015 e 2016, foi Secretário Estadual das Cidades. Está no exercício do sexto mandato de deputado federal.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, disse que ele e o ministro da Pesca e Aquicultura trabalharão juntos pelo avanço da piscicultura brasileira. “O governo tomou a decisão de dividir os ministérios para que as áreas possam ser mais eficientes, mas vamos trabalhar juntos em várias iniciativas, como na questão da vigilância sanitária e da ciência e tecnologia”, disse Fávaro durante a cerimônia de posse de André de Paula.

    O novo ministro da Pesca e Aquicultura conclamou todos os elos da cadeia produtiva para “contribuir para a construção de políticas que mantenham o crescimento da atividade de maneira sustentável”. André também destacou o potencial do país para a piscicultura e sente-se feliz por ter o desafio de contribuir para sua evolução.

  • Peixe BR se reúne com BNDES para tratar de assuntos importante para a piscicultura

    Peixe BR se reúne com BNDES para tratar de assuntos importante para a piscicultura

    Dentre os assuntos discutidos na reunião estão:

    – As Linhas FINEM (Incentivada B) e GIRO. Um produto com linhas de financiamento acima de R$ 10 milhões voltadas para projetos de investimento. Saiba mais: https://goo.gl/TuhrRN

    – A atuação das empresas e Cooperativas como âncoras na estruturação de operações de crédito.

    – O apoio na exportação de peixes pelas linhas BNDES-EXIM. Que abrangem opções como: Exim Pré-Embarque, Exim Pós-Embarque e Exim Automático. Saiba mais: https://goo.gl/LENnRJ

    – O apoio a aquicultura nas linhas equalizadas do governo federal operadas pelo BNDES.

    Além desses quatro tópicos a EMBRAPA apresentou o negócio de tilápia no Brasil e, principalmente, o impacto do DRAWBACK no custo de produção e aumento da competitividade da tilápia para exportação.

    Sobre o Drawback: O regime aduaneiro especial de drawback, instituído em 1966 pelo Decreto Lei nº 37, de 21/11/66, consiste na suspensão ou eliminação de tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produto exportado. O mecanismo funciona como um incentivo às exportações, pois reduz os custos de produção de produtos exportáveis, tornando-os mais competitivos no mercado internacional. A importância do benefício é tanta que na média dos últimos 4 (quatro) anos, correspondeu a 29% de todo benefício fiscal concedido pelo governo federal. Saiba mais: https://goo.gl/8zaA8t

    Estiveram presentes na reunião os representantes das empresas associadas da PEIXE BR: Netuno (Adriano), Tilabras (Nicolas|), Dafonte Aquicultura (Ricardo), Geneseas (Roberto), Cristalina (Guilherme), Piracema (Felix), MFoods (Rosemary).

    Além dos representantes do BNDES, estiveram presente representante da SEAP (João Crescencio e Rui) e da Embrapa Pesca e Aquicultura (Manoel).

  • Piscicultura espera voltar ao âmbito do MAPA no novo governo

    Piscicultura espera voltar ao âmbito do MAPA no novo governo

    A Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) aguarda, com expectativa positiva, a definição dos nomes que comporão o próximo governo para tratar dos temas mais importantes relacionados à cadeia produtiva dos peixes de cultivo, responsáveis por movimento superior a R$ 5,4 bilhões anuais, mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos e 691.700 toneladas de alimentos em 2017.

    A mais importante demanda da PEIXE BR e de toda a cadeia da produção de peixes de cultivo é o retorno da atividade ao âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), destino tido como natural para abrigar a Aquicultura, uma vez que lá já estão as indústrias de insumos (genética, sanidade e nutrição), além da promoção da produção no exterior.

    “A PEIXE BR e a Piscicultura brasileira como um todo têm grande e positiva expectativa em relação ao novo governo e espera que a atividade volte a estar abrigada no MAPA, de onde nunca deveria ter saído”, diz a diretoria da Associação Brasileira da Piscicultura.

  • Laboratório do Centro de Ciências Agrárias desenvolve vacina trivalente para tilápia

    Laboratório do Centro de Ciências Agrárias desenvolve vacina trivalente para tilápia

    Pesquisadores do Laboratório de Bacteriologia de Peixes (LABBEP) da UEL, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), estão bem próximos de encontrar vacina trivalente capaz de imunizar tilápias – peixe de água doce mais consumido pela população brasileira – das principais doenças que atacam os criadouros, dois subtipos (sorotipos Ib e III) de estreptococose e da franciselose, causadas por bactérias e que podem provocar sérios prejuízos aos produtores. Embora não existam relatos de malefícios aos seres humanos, a vacina é recomendada por ser um tratamento acessível, proporcionando rentabilidade e maior taxa de sobrevida dos peixes.

    O Laboratório já desenvolveu vacina bivalente contra a estreptococose (com eficácia de 98%) e a expectativa é concluir os testes para apresentar ao mercado nova tecnologia capaz de combater as três principais bactérias que afetam a produção comercial de tilápias. Para se ter a dimensão da importância desta cadeia, a produção brasileira de Tilápia em 2017 alcançou 357 mil toneladas, de acordo a Associação Brasileira da Piscicultura, volume considerado bastante expressivo e que coloca o Brasil entre os quatro maiores produtores do mundo, atrás de China, Indonésia e Egito.

    O coordenador do LABBEP, professor Ulisses de Pádua Pereira, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva, acredita que até o final de novembro tenha avançado esta primeira fase de testes da vacina trivalente. Ele explica que Streptococcus agalactiae (principal causador da estreptococose) é uma bactéria que permanece externamente às células dos peixes, enquanto a bactéria causadora da franciselose tem capacidade de sobreviver e se multiplicar intracelularmente, o que dificulta o estudo. Os testes buscam testar a eficácia da vacina. De acordo com o professor, o próximo passo será rastrear nos genomas das bactérias – os quais foram sequenciados e publicados pela equipe – alvos vacinais da superfície destes patógenos, que poderão auxiliar no controle e na prevenção das doenças. Os pesquisadores já conseguiram sequenciar cinco genomas completos de bactérias.

    Pelo menos dois mestrandos do Programa de Ciência Animal, do CCA, estão debruçados nesta fase do estudo. A estudante Raffaella Mainardi, que desenvolve a vacina, e César Facimoto, responsável pela pesquisa em bioinformática, e faz os modelos de sequenciamento genético que também auxiliam no desenvolvimento das vacinas. O laboratório conta ainda com mais um mestrando, um doutorando, três médicos veterinários residentes e cinco alunos bolsistas.

    O professor explica que a vacina é indicada para tilápias com 30 gramas . O peixe atinge o estágio comercial quando chega a pelo menos 900 gramas, o que demanda cinco a seis meses nos criadouros. A vacinação é feita pelo próprio produtor, no abdômen do peixe, em dose única de 0,05 ml. Para vacinar, a recomendação é retirar um lote de peixes do criadouro e separá-los para a anestesia, que pode ser feita em recipiente com água e óleo de cravo ou benzocaína.

    O anestésico deixa o peixe sonolento para receber a dose. Posteriormente, ele volta para o tanque, sem qualquer comprometimento físico. De acordo com o professor Ulisses, ao contrário do que aparenta, a vacinação é fácil e rápida. Segundo ele, um tratador com prática pode vacinar até 10 mil peixes por dia.

    Linhas de pesquisa – Além do desenvolvimento de vacinas, o LABBEP da UEL trabalha com outras duas linhas de pesquisa. A bioinformática, que sequencia genoma de bactérias, com o objetivo de controle e prevenção de doenças. Outra linha é o desenvolvimento e validação de probióticos, produtos que utilizam microorganismos vivos os quais irão resultar em efeitos benéficos para os peixes, sejam no estímulo do sistema imune, competição na microbiota intestinal ou no auxílio ao aproveitamento dos nutrientes ingeridos. Nesta segunda linha de pesquisa, o Laboratório trabalha com duas bactérias atualmente.

    Mercado – A importância do estudo desenvolvido na UEL ganha força a partir da tendência mundial que coloca o peixe como a proteína animal mais produzida no planeta. A estimativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização da Alimentação e Agricultura da ONU (FAO) é que a produção global de peixes de cultivo ultrapassará a produção de peixes de captura a partir de 2020. A produção de peixes de cultivo cresceu 60% entre 2007 e 2017, chegando a 80 milhões de toneladas.

    No Brasil a piscicultura cresceu 8% em 2017, terminando o ano com a produção de 691.700 toneladas de peixes cultivados. Com este resultado, a atividade voltou ao eixo normal de crescimento, após enfrentar dificuldades em 2016, com redução dos investimentos e queda no consumo. O Paraná é o primeiro produtor brasileiro, tendo registrado produção de 112 mil toneladas no ano passado.

    A Tilápia é a mais importante espécie de peixe cultivado no Brasil. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura, a espécie representa 51,7% da piscicultura nacional, com 357.639 toneladas em 2017. A segunda posição não é de uma espécie em si, mas de uma categoria, os nativos – tambaqui, carpa e truta. Os dados são do Anuário 2018 da Associação Brasileira da Piscicultura.

    Fonte: UEL – Universidade Estadual de Londrina