Autor: Julia Calaça

  • Piscicultura inicia 2026 com mercado aquecido e retomada de preços

    Piscicultura inicia 2026 com mercado aquecido e retomada de preços

    PEIXE BR destaca continuidade dos investimentos, custos mais estáveis e novas oportunidades no mercado externo, especialmente para filé congelado

    O setor da piscicultura iniciou 2026 com um cenário positivo, impulsionado pelo mercado aquecido e pela retomada nos preços pagos ao produtor. Em entrevista ao Record News Rural, Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura), destaca que a estabilização dos valores ao consumidor garante a manutenção da demanda e reforça a predominância da tilápia no mercado nacional.

    “Começamos o ano com boa perspectiva para a tilapicultura nacional, para a piscicultura de uma forma geral, mas a gente cita a tilápia porque representa quase 70%, um pouco mais de 70% de tudo que nós cultivamos no Brasil. Segundo o Ministério da Pesca e Agricultura, em pesquisas recentes, o pescado mais consumido no Brasil hoje, independente da origem, se é importado da pesca ou de produção, é a tilápia”, afirma o executivo.

    Medeiros também ressalta que a retomada nos preços pagos ao piscicultor foi amplamente influenciada pela preparação industrial realizada em períodos anteriores.

    “A indústria, ela se preparou bastante nos últimos anos para entregar um produto que o consumidor quer, e isso é o mais importante. Outro fator essencial foi a entrada das empresas que produzem aves e suínos no mercado, que têm uma logística, uma distribuição, uma comercialização bastante forte”, diz o presidente.

    Ainda sobre a tilápia, o executivo ressalta que o consumo interno da proteína registrou uma alta expressiva ao longo da última década, fator que tem impacto direto em sua consolidação no mercado nacional.

    “Nos últimos dez anos, o crescimento foi extremamente significativo. Para você ter uma ideia, nós crescemos na última década 10,3% ao ano. A gente tem falado isso aqui o tempo todo, mas nunca tivemos um histórico de uma proteína animal que tenha tido uma década de crescer dois dígitos. […] Então, é um sucesso realmente no prato do consumidor brasileiro”, reitera Medeiros.

  • Piscicultura fecha 2025 com retomada de preços e agenda regulatória

    Piscicultura fecha 2025 com retomada de preços e agenda regulatória

    A piscicultura brasileira encerra 2025 com recuperação de preços, ampliação do consumo interno e mobilização institucional em temas como tarifaço, espécies invasoras e importações, segundo avaliação da Peixe BR.

    piscicultura

    A piscicultura brasileira chega ao fim de 2025 após atravessar um ano de oscilações, ajustes de mercado e debates regulatórios que impactaram diretamente produtores e indústrias. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, que descreve o período como marcado por dois momentos distintos e por avanços estruturais na cadeia.

    De acordo com Medeiros, o primeiro semestre foi caracterizado por elevada oferta de peixe, o que pressionou as cotações pagas ao produtor. “Tivemos um primeiro semestre com grande oferta de produto, o que pressionou os preços para baixo. As indústrias também reduziram valores no food service e no atacado”, afirma.

    A partir da segunda metade do ano, o cenário mudou com a recuperação gradual da demanda. “No último trimestre, houve uma recuperação significativa dos preços pagos ao produtor. A indústria, no entanto, teve dificuldade em repassar esses valores imediatamente ao mercado”, relata. Ainda assim, o setor encerra o ano com avaliação positiva, sustentada pelo consumo interno e por medidas estruturantes.

    Um dos pontos destacados pela Peixe BR foi a inclusão do peixe de cultivo na cesta básica da reforma tributária. Para Medeiros, a medida amplia a competitividade no mercado doméstico e cria condições mais favoráveis para o crescimento do consumo. Ele observa que o período de preços mais baixos também contribuiu para atrair novos consumidores. “O consumidor buscou saudabilidade e sabor e passou a preferir o peixe de cultivo, em especial a tilápia. Muitos desses consumidores se mantiveram”, afirma.

    No comércio exterior, o chamado tarifaço sobre exportações trouxe impactos assimétricos. Segundo o presidente da entidade, o efeito sobre o volume total produzido foi limitado, já que as exportações representam entre 3% e 5% da produção nacional. “Para as empresas exportadoras, que têm investimentos dedicados, o efeito no fluxo de caixa foi muito significativo”, pondera. A redireção do produto ao mercado interno exigiu ajustes operacionais e comerciais ao longo do ano.

    Outro tema sensível foi a proposta de inclusão da tilápia em uma lista de espécies invasoras. Medeiros destaca que a decisão foi adiada pelo Ministério do Meio Ambiente para 2026, mas segue no centro das atenções do setor. “Essa é uma grande preocupação. Estamos trabalhando intensamente para evitar a inclusão, o que é determinante para o negócio”, afirma. A associação atua junto ao Congresso, ao setor produtivo e à sociedade com base em informações técnicas sobre a atividade.

    As importações de pescado do Vietnã também geraram debates em 2025. De acordo com Medeiros, a entrada de produto ocorreu em um momento de ampla oferta interna e preços pressionados ao produtor. “A importação deve ocorrer quando há falta de produto, o que não era o caso. Além disso, há diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e trabalhistas que comprometem a isonomia competitiva”, observa. A entidade cobra ajustes para assegurar concorrência equilibrada.

    Para 2026, a Peixe BR mantém foco na competitividade e no acesso a mercados. A agenda inclui atuação regulatória em níveis estadual e federal e projetos técnicos voltados à genética, tecnologia, produção e processamento. “O produtor precisa perceber esses ganhos na propriedade. Esse é o direcionamento da associação ao longo de sua trajetória”, afirma Medeiros.